Para que servem os monitores?
O monitor de FC é uma poderosa ferramenta para a avaliação e prescrição de exercícios físicos de forma individualizada, particularmente para os exercícios aeróbicos. Os monitores nos fornecem informação precisa e quase imediata sobre a intensidade do esforço realizado e deveriam ser a principal forma de monitorizar a intensidade do exercício aeróbico para a promoção da saúde. Além disso, nos permite avaliar a evolução do condicionamento, potencializar os benefícios e evitar riscos desnecessários durante os exercícios físicos. Para os ciclistas competitivos pode ser também a principal forma de controle de intensidade de treinamento e inclusive pode ser utilizado como uma das formas de identificar o “overtraining” ou excesso de treinamento.
Como basear o treino com a FC?
Para o ciclista competitivo, após exame médico prévio, o treino pode ser baseado em valores de FC de repouso aferida e de FC máxima, aferida ou estimada por meio de fórmulas. Após a aferição destes valores de FC podemos calcular diferentes zonas de intensidade de treinamento para enfatizar adaptações fisiológicas nas principais capacidades exigidas pelo ciclismo/MTB.
Como encontramos a FC máxima e a mínima?
Para encontrar a FC basal ou mínima é só dormir por uma noite com o monitor de FC gravando a média de batimentos a cada minuto e encontrar o menor valor registrado. Já a FC de repouso pode ser facilmente aferida pela manhã, antes de se levantar da cama, com um monitor de FC ou manualmente contando os batimentos durante 1 minuto. É importante aferi-la pela manhã durante alguns dias e registrar o menor valor encontrado. Para calcular as zonas de intensidades para treinamento a FC de repouso ao se levantar é suficiente.
Para encontrar a FC máxima existem diferentes formas: podemos medi-la em laboratório, em testes de esforço máximo com pessoal qualificado, podemos medi-la durante treinos ou competições ou ainda podemos estimá-la por meio de fórmulas. Existem fórmulas simples como FC máxima = 220 – idade, que possuem uma margem de erro maior e fórmulas com menor margem de erro como a de INBAR (1994), onde a FC max = 205,8 – (0,685 x idade).
Outra forma seria, após um aquecimento de
Como usá-los corretamente?
Existem hoje no mercado uma grande variedade de modelos de monitores cardíacos para atender as mais diferentes necessidades. Há modelos que apenas apresentam a FC momentânea até modelos com todas as funções de um ciclocomputador, além de cadência de pedalada, potência, altitude, estimativa do dispêndio de energia durante o treino e que ainda transmitem os dados para o computador. Para saber utilizá-los da forma correta é necessário conhecimento sobre a adequada relação entre duração e intensidade de esforço. Para isto podemos apenas calcular as zonas de intensidade de acordo com dados médios de indivíduos sedentários, fisicamente ativos ou atletas ou, mais recomendável, relacionar a FC a outros parâmetros, como lactato sanguíneo, consumo de oxigênio, potência e percepção subjetiva de esforço.
Quais os limiares?
Podemos dividir a intensidade no ciclismo e MTB em 6 zonas, embora diferentes treinadores possam dividi-la de outra forma. Dentro da minha proposta para ciclistas treinados as zonas
Zona 1: Aeróbico 1, FC abaixo de
Zona 2: Aeróbico 2, FC de
Zona 3: Limiar Anaeróbico, FC de
Zona 4: Potência aeróbica máxima ou VO2 máximo pode ser sustentada por
Zona 5: Capacidade aneróbica, duração de 30 segundos até cerca de
Zona 6: Potência anaeróbica, duração até 30 segundos e intensidade máxima, utilizada em “sprints” e arrancadas. Esta intensidade não deveria ser monitorizada pela FC pelos motivos explicados na zona 5. As zonas de intensidade 4, 5 e 6 podem ser melhor controladas com a utilização de sensores de potência, equipamento que nem sempre está ao alcance da maioria dos ciclistas hoje em dia, infelizmente.
Para a prescrição da intensidade do exercício existem testes de laboratório e de campo que, devidamente aplicados, garantem maior precisão e individualização. Dentre os principais testes podemos citar a medida direta do consumo de oxigênio (VO2 máximo), a medida de lactato sanguíneo, o teste de Conconi para estimar a FC de deflexão, o teste de potência crítica e outros. A escolha do melhor teste vai depender de fatores como equipamento disponível, qualificação do avaliador para aquele teste específico e obviamente, o custo.
Reginaldo Gonçalves.
Prof. de Treinamento Esportivo e Musculação da Universidade de Itaúna.
Mestre
Doutorando em Ciências da Saúde/Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Medicina da UFMG.
(37)3213-0706/9987-6231